Sexta-feira, Julho 17, 2009

Quinta-feira, Julho 16, 2009

"O cara" do meu prédio

É tão bacana descobrir algo positivo e inusitado nas pessoas. Tive esse lampejo de admiração quando folhei o Fala Bom Fim. Com o título, ‘Velocidade é a alma de Carlos Guerreiro’, na seção Zelador do Mês, encontrei uma matéria feita com o zelador do meu prédio. Acabei descobrindo que ele é um velocista aposentado e ex-atleta do Grêmio, e que inclusive já conquistou medalhas de ouro e prata no Campeonato Brasileiro de Atletismo.
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Quarta-feira, Julho 15, 2009

Os gadget's e o túnel do tempo

Pra início de conversa, adoro pronunciar a palavra gadget. Sei lá porque, mas o fato é que acho ela "deveras" bacana de ser dita. Digo isso porque agora a pouco adicionei um gaddddddddget ao blog que permite pesquisar qualquer palavra. Fiquei brincando um tempo com este novo recurso/aplicativo/possibilidade/gadddget digitando algumas palavras. Matei um pouco de saudade da Adélia Prado lendo alguns poemas dela. Brinquei de digitar as mais absurdas e digitei um punhado de outras mais. E numa dessas buscas, encontrei esse post (ok, a palavra era sangue).
Primeiro: escrevo muito sobre menstruação por aqui.
Segundo: quis/comecei a escrever esse post num banheiro de bar do Menino Deus. Juro!
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Arcada de fogo?
(não irá desculpar-se pela demora)
o que realmente tocou o coração dela, como se mistura de clara em neve fosse, foi a demonstração de notável aptidão - dele.
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Mas outras coisas andaram acontecendo na capital dos gaúchos:
Raul estava raso, largo e profundo. Ela sentia um vermelho de alívio escorrendo pelas pernas. A calcinha tigresa confundia-se com a cor do esmalte. Era véspera de feriado e por isso não carecia pressa. Não queria fazer-se ouvir, mas um riso escapou desafinado quando percebeu que em tons nem sempre audíveis, vive a se repetir, tanto na escrita, quanto na vida. É sempre a mesma mesmice de uma única Eloisinha chatinha e previsivelzinha. Por isso, é bem provável que ela discorra sobre a sensação cíclica que o sangue lhe atribui.
A censura áspera lhe veio silenciosa e desembaraçada deixando aquele banheiro mais insólito do que já era. Por ter-se reconhecido previsível, num cubículo totalmente estranho, sentiu-se embebedar por uma sensação de cócegas e pôde reconhecer até mesmo nas coisas insossas de todos os dias que os ciclos se renovam, para, só mais tarde, viciarem-se de novo. Se tivesse um copo ao alcance das mãos, brindaria a dicção espirituosa da constatação.
Mas um falatório perturbou a reflexão imagética. A visão, protegida pelo grosso aro vermelho, confundiu-a com as cinco lajotas que a distanciavam da porta. Atrás, poderia ter encontrado algum olhar de desaprovação ou curiosidade se tudo não fluísse quase que naturalmente. Deixou-se absorver pela tentativa dos pássaros em avisar que a sexta-feira não tardaria. Em breve, alguma invasão ensolarada iria atravessar as vidraças da Getúlio.
Sem pedir licença, embrulhou a paz de espírito no seu casaco de bolinha, deu a mão para o menino e seguiu o seu caminho.
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Tudo parecia repetição.
Era só mais um modo de ver.
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Quando elas choram, Isadora e Isaura, meu desejo mais sincero e solidário é dar a mão às duas, passear um pouco por estradas estreitas, perdidas no tempo, e confessar uma dor qualquer minha, que seja bem secreta, bem dor, e possa consolá-las. Assim, por exemplo: "Era uma vez eu tive um dia... Um dia que começou e terminou com dor. De manhã, uma cólica forte, vinda do nada, que minutos depois se expressou no resultado do nada que é a menstruação. No fim da tarde, uma carta ruim, que expressava também uma rejeição, só que de outro caráter. Agora é de noite. As dores, unidas, vão dormir".
O Espelho da Falha — Marilene Felinto

Cumprindo a promessa...

Plantão. Você Sabia?
Por um dente de alho cru na boca, levemente ferido, desobstrui as vias respiratórias.
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Plantão. Você Sabia?
A tenia, um verme que pode viver no sistema digestivo humano, pode atingir quase 23 metros de comprimento.
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Plantão. Você Sabia?
São necessários 8 minutos e 17 segundos para a luz viajar da superfície do sol até a terra.
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Jesuuuuuuuuuuus, me abane!

Segunda-feira, Julho 13, 2009

Gosto é regalo da vida




Preciso levar o lixo. Fazer a lista do super. Colocar as contas que devem ser pagas na bolsa. Jantar. Tomar banho. E dormir que logo já é terça-feira. Mas sinto vontade de escrever. E então eu pego a sacola do lixo e faço um nó bem forte (pensando vagamente que eu não tenho muita serventia para a reciclagem, embora me esforce). Descanso o lixo perto do tanque e dou uns passos na tentativa de pensar que o computador está desligado e é melhor deixar para escrever outra hora, talvez mais oportuna. Então lembro que preciso comprar leite e absorvente e que também seria útil fazer logo um estoque de fósforos. Ao entrar na cozinha, para encompridar a lista, tenho a sensação de que as frutas estão muito maduras (no meu caso, descarto muita maciez quando se trata de frutas). Mas, mesmo que o sabão em pó também esteja no fim, que o coração pareça estar batendo mais devagar (tenho essa sensação sempre que sinto muito sono), que a louça esteja por lavar, que a pilha de jornais esteja competindo em altura com a banqueta da sala, que a mesa se apresse em convite, ainda sinto vontade de escrever. E por isso, quase como quem diz para uma criança ‘tudo bem, só vou brincar mais uma vez’, abro uma página em branco. Seleciono a fonte georgia, corpo 12, justificado. É assim que me sinto no espaço que eu respeito. Pequenas manias. Então lembro que já quis ter uma filha e dar-lhe o nome de Geórgia, mas que hoje prefiro Martina. Sei que a escolha da fonte não tem nada a ver com o nome. E me esqueço um pouco da vontade, aquela. Acho bonito começar ao estilo genuíno, porém ingênuo (coisinha difícil de desgrudar de mim esta tal ingenuidade). Lasco qualquer emoção dizendo que sinto vontade de escrever sabendo que o tempo lá fora quase parou de tanto frio, de tanto que choveu na semana passada. E penso que isso é ideia da Adélia. Ela falava em alguma poesia - que eu não lembro qual – que o tempo havia parado de calor. Ou teria sido Drummond? Gosto tanto de Drummond para lê-lo tão pouco. E gosto também de Cabral de Melo Neto (respondendo a pergunta do André). Fico aflita, dessa coisa boa da aflição, em lembrar que nestes dias encontrei no e-mail a monografia e que nela cabia tanta promessa de João do Rio (já sei o que posso fazer amanhã se a aflição não calar). Embora seja muito distraída, sei que a vontade de escrever ainda não deu trégua. Ela comicha. Acho que é a primeira vez que escrevo a palavra comicha e isso me faz pensar que talvez ela nem exista. Não vou procurar no dicionário. Não me presto a esta agilidade. Mas se essa palavra não existe, bem que deveria. Seria tão bom conseguir disfarçar essa vontade de escrever demorando-se na sensação das boas coisas que me aconteceram hoje. Procurando o filme que a Débora me emprestou e que está perdido entre os recados na gaveta ou fazendo uma sopa bem verde de tanta erva fresca (Ui. Erva fresca e segunda-feira rimam. Rima é coisa que em definitivo não me agrada). A zica (essa aí não existe mesmo, nem preciso conferir) de escrever quase passa quando eu lembro que tenho vontade de fazer algumas buscas para descobrir um número de telefone (longa pausa, estou bolando um plano secreto). Mas sei que sinto vontade de escrever e que sentindo não escrevo nada. Apenas vou me distraindo, fingindo numa dancinha ritmada que posso continuar falando comigo mesma (em público) até a vontade ir embora. Uma compulsão consentida? A gente brinca de se enganar às vezes. Mesmo que todas as tentativas evidenciem que tudo está ali, sobre a mesa, em forma de banquete. Putz. Acho que essa é a frase que eu precisava! Já volto (?). Vou escrever uma crônica.

Você sabia?

Faz certo tempo e é claro que eu não sei como começou (e também não tenho dinamismo? para investigar), mas o fato é que eu recebo várias mensagens no celular (ao estilo você sabia) que me deixam, talvez, intrigada.
Pois a partir de hoje (sem seleção ou sorte de nenhum critério de edição) elas serão postadas no mundo das ervilhas.
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Plantão. Você sabia? O imperador francês Napoleão Bonaparte tinha fobia de gatos.
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Plantão. Você sabia? O gafanhoto do deserto é o inseto que voa mais rápido, atingindo 33km por hora.
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Plantão. Você sabia? O pai de Aretha Franklin era amigo do líder muito conhecido Marthin Luther King.
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Não dá pra não dividir essa gambiarra louca com vocês. Mas é claro, fica registrado o pedido de desculpas...
Aguardem os próximos plantões. Eles virão.

Quinta-feira, Junho 25, 2009

Salve, Adélia!

Sábado, Junho 20, 2009

Fazer 30 anos

Porque o dia 4 tá chegando, e porque a conta é exatamente esta, mas muito mais porque esse escrito do Affonso Romano de Sant'Anna é lindo.
(e porque lendo assim, quem sabe, eu ainda não precise me incomodar com o renew rejuvenate... pensando bem ainda estou com 28... )
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QUATRO pessoas, num mesmo dia, me dizem que vão fazer 30 anos. E me anunciam isto com uma certa gravidade. Nenhuma está dizendo: vou tomar um sorvete na esquina, ou: vou ali comprar um jornal. Na verdade estão proclamando: vou fazer 30 anos e, por favor, prestem atenção, quero cumplicidade, porque estou no limiar de alguma coisa grave.

Antes dos 30 as coisas são diferentes. Claro que há algumas datas significativas, mas fazer 7, 14, 18 ou 21 é ir numa escalada montanha acima, enquanto fazer 30 anos é chegar no primeiro grande patamar de onde se pode mais agudamente descortinar.

Fazer 40, 50 ou 60 é um outro ritual, uma outra crônica, e um dia eu chego lá. Mas fazer 30 anos é mais que um rito de passagem, é um rito de iniciação, um ato realmente inaugural. Talvez haja quem faça 30 anos aos 25, outros aos 45, e alguns, nunca. Sei que tem gente que não fará jamais 30 anos. Não há como obrigá-los. Não sabem o que perdem os que não querem celebrar os 30 anos. Fazer 30 anos é coisa fina, é começar a provar do néctar dos deuses e descobrir que sabor tem a eternidade. O paladar, o tato, o olfato, a visão e todos os sentidos estão começando a tirar prazeres indizíveis das coisas. Fazer 30 anos, bem poderia dizer Clarice Lispector, é cair em área sagrada.

Até os 30, me dizia um amigo, a gente vai emitindo promissórias. A partir daí é hora de começar a pagar. Mas também se poderia dizer: até essa idade fez-se o aprendizado básico. Cumpriu-se o longo ciclo escolar, que parecia interminável, já se foi do primário ao doutorado. A profissão já deve ter sido escolhida. Já se teve a primeira mesa de trabalho, escritório ou negócio. Já se casou a primeira vez, já se teve o primeiro filho. A vida já se inaugurou em fraldas, fotos, festas, viagens, todo tipo de viagens, até das drogas já retornou quem tinha que retornar.

Quando alguém faz 30 anos, não creiam que seja uma coisa fácil. Não é simplesmente, como num jogo de amarelinha, pular da casa dos 29 para a dos 30 saltitantemente. Fazer 30 anos é cair numa epifania. Fazer 30 anos é como ir à Europa pela primeira vez. Fazer 30 anos é como o mineiro vê pela primeira vez o mar.

Um dia eu fiz 30 anos. Estava ali no estrangeiro, estranho em toda a estranheza do ser, à beira-mar, na Califórnia. Era um homem e seus trinta anos. Mais que isto: um homem e seus trinta amos. Um homem e seus trinta corpos, como os anéis de um tronco, cheio de eus e nós, arborizado, arborizando, ao sol e a sós.

Na verdade, fazer 30 anos não é para qualquer um. Fazer 30 anos é, de repente, descobrir-se no tempo. Antes, vive-se no espaço. Viver no espaço é mais fácil e deslizante. É mais corporal e objetivo. Pode-se patinar e esquiar amplamente.

Mas fazer 30 anos é como sair do espaço e penetrar no tempo. E penetrar no tempo é mister de grande responsabilidade. É descobrir outra dimensão além dos dedos da mão. É como se algo mais denso se tivesse criado sob a couraça da casca. Algo, no entanto, mais tênue que uma membrana. Algo como um centro, às vezes móvel, é verdade, mas um centro de dor colorido. Algo mais que uma nebulosa, algo assim pulsante que se entreabrisse em sementes.

Aos 30 já se aprendeu os limites da ilha, já se sabe de onde sopram os tufões e, como o náufrago que se salva, é hora de se autocartografar. Já se sabe que um tempo em nós destila, que no tempo nos deslocamos, que no tempo a gente se dilui e se dilema. Fazer 30 anos é como uma pedra que já não precisa exibir preciosidade, porque já não cabe em preços. É como a ave que canta, não para se denunciar, senão para amanhecer.

Fazer 30 anos é passar da reta à curva. Fazer 30 anos é passar da quantidade à qualidade. Fazer 30 anos é passar do espaço ao tempo. É quando se operam maravilhas como a um cego em Jericó.

Fazer 30 anos é mais do que chegar ao primeiro grande patamar. É mais que poder olhar pra trás. Chegar aos 30 é hora de se abismar. Por isto é necessário ter asas, e sobre o abismo voar. -

Quinta-feira, Junho 11, 2009

Tá,

"vamo entrá" nesse clima.

Sobre uma visita


Essa ilustração é da Mariana. Tem mais aqui.
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Quando você chegar pode assustar-se com a tensão que existe entre os adultos. Com a falta absoluta de conversa sobre coisas amenas (que nos deixou a todas com um ar tão grave). Com a quantidade de comida sobre a mesa. Com o tudo e o nada para as crianças. Com o cheiro do mato. Com o tom laranja descamando sobre a roça de aipim há poucos metros de casa. Você poderá não conseguir conter o riso – e provavelmente não conterá – quando em alguns momentos o humor perspicaz parecer descontrair a todos. Poderá estranhar a falta de ventiladores. Provavelmente lhe ocorrerá que algumas partes não se encaixam nunca. Mas vai se emocionar quando repousar em algum detalhe. No jeito franzino da mãe, sempre pronta a ajudar. No jeito maroto do pai, sempre escondendo alguma lágrima de satisfação. E eu nunca saberei, a menos que você decida me contar, se a partir deles vai enxergar em mim muita tristeza ou muita alegria. Eu sei que esta dúvida abriga tantas outras perguntas. Mas falo de um amor de engasgar. Que esquece, que cochila nos intervalos de silêncio.

Segunda-feira, Junho 01, 2009

E daí parei no Cabral

Falta tempo, falta apetite, falta estrutura. Falta!
Sobra alguma vontade de me dedicar com o afinco de uma aluna da disciplina de literatura - meias muito brancas, muito grossas - ao mundo das ervilhas.
Sobra vontade e, portanto, fica a promessa.
E porque estava "tentando" escrever um editorial sobre o Dia dos Namorados (sim, me pagam para isso) dei de cara (e me perdi) com o João Cabral de Melo Neto nesta escrita tão boa para tanta falta do que de fato não interessa.
Segue...

Joaquim:
O amor comeu meu nome, minha identidade, meu retrato. O amor comeu minha certidão de idade, minha genealogia, meu endereço. O amor comeu meus cartões de visita. O amor veio e comeu todos os papéis onde eu escrevera meu nome.

O amor comeu minhas roupas, meus lenços, minhas camisas. O amor comeu metros e metros de gravatas. O amor comeu a medida de meus ternos, o número de meus sapatos, o tamanho de meus chapéus. O amor comeu minha altura, meu peso, a cor de meus olhos e de meus cabelos.

O amor comeu meus remédios, minhas receitas médicas, minhas dietas. Comeu minhas aspirinas, minhas ondas-curtas, meus raios-X. Comeu meus testes mentais, meus exames de urina.

O amor comeu na estante todos os meus livros de poesia. Comeu em meus livros de prosa as citações em verso. Comeu no dicionário as palavras que poderiam se juntar em versos.

Faminto, o amor devorou os utensílios de meu uso: pente, navalha, escovas, tesouras de unhas, canivete. Faminto ainda, o amor devorou o uso de meus utensílios: meus banhos frios, a ópera cantada no banheiro, o aquecedor de água de fogo morto mas que parecia uma usina.

O amor comeu as frutas postas sobre a mesa. Bebeu a água dos copos e das quartinhas. Comeu o pão de propósito escondido. Bebeu as lágrimas dos olhos que, ninguém o sabia, estavam cheios de água.

O amor voltou para comer os papéis onde irrefletidamente eu tornara a escrever meu nome.

O amor roeu minha infância, de dedos sujos de tinta, cabelo caindo nos olhos, botinas nunca engraxadas. O amor roeu o menino esquivo, sempre nos cantos, e que riscava os livros, mordia o lápis, andava na rua chutando pedras. Roeu as conversas, junto à bomba de gasolina do largo, com os primos que tudo sabiam sobre passarinhos, sobre uma mulher, sobre marcas de automóvel.

O amor comeu meu Estado e minha cidade. Drenou a água morta dos mangues, aboliu a maré. Comeu os mangues crespos e de folhas duras, comeu o verde ácido das plantas de cana cobrindo os morros regulares, cortados pelas barreiras vermelhas, pelo trenzinho preto, pelas chaminés. Comeu o cheiro de cana cortada e o cheiro de maresia. Comeu até essas coisas de que eu desesperava por não saber falar delas em verso.

O amor comeu até os dias ainda não anunciados nas folhinhas. Comeu os minutos de adiantamento de meu relógio, os anos que as linhas de minha mão asseguravam. Comeu o futuro grande atleta, o futuro grande poeta. Comeu as futuras viagens em volta da terra, as futuras estantes em volta da sala.

O amor comeu minha paz e minha guerra. Meu dia e minha noite. Meu inverno e meu verão. Comeu meu silêncio, minha dor de cabeça, meu medo da morte.

Quinta-feira, Maio 21, 2009

Com o sol da quinta-feira:



"Só duas coisas são infinitas, o universo e a estupidez humana" Einstein.
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Ps. A foto é meramente ilustrativa!

Quarta-feira, Maio 13, 2009

Faro


A primeira golfada de ar não me ardeu o nariz, preenchendo tudo na volta com presságio de mau agouro. Nem me fez flutuar numa dança de conforto e aconchego. Pelo contrário, incomodou-me a falta de identificação com o aroma. A falta, quem sabe, da ardência conhecida. Eu queria conhecimento sobre aquele cheiro. Familiaridade. Textura. Procedência. Como se aquela golfada de ar não combinasse em definitivo com o espaço que preenchia. Eu queria, sendo muito mais ansiosa do que sábia, que ela representasse de imediato o cheiro da casa agora minha. Mexida com aquela sensação de olfato inexpressiva, imaginei que neste caso, a combinação dos aromas pode - ou deve - demorar algumas semanas até ser exata. Digo exata querendo dizer, até poder ser identificada como sendo o nosso/meu cheiro e por isso o da minha casa. E por conta daquela golfada de ar sem expressão, e principalmente da sensação esquisita que fui acometida, dei um pause no filme que esquentava a tela e desperdicei alguns minutos da última segunda-feira tentando adivinhar o que poderia mais facilmente compor o conjunto de aromas que em algumas semanas seria denominado o cheiro da minha casa. E num tremendo exercício de imaginação, respirei o sabonete úmido sobre a pia do banheiro. Os ralos do pátio. O momento exato em que o sol acerta a toalha de banho já usada. O edredom ainda quente pela manhã. Um vestígio da cera líquida sobre o pano de lã. A ação dos dias sobre as cascas das frutas escolhidas na feira. As roupas usadas à espera de água e sabão na cesta. As plantas espalhadas pela casa. As roupas balançando no varal. Os líquidos. Os perfumes. Novamente os ralos. Os lixos. Imaginei mais... Gostei da experiência. E então imaginei que também o cheiro das casas dos vizinhos e o próprio cheiro das redondezas pudessem e iriam se misturar neste processo para só depois, então, eu saber – conhecer – o cheiro que a minha nova casa terá. Aguardo. Num misto de expectativa e faceirice. Assim como também revivo a experiência gostosa de descobrir um novo espaço. Principalmente quando você pode chamá-lo de seu. E a sua casa, que cheiro ela tem?

Quarta-feira, Abril 29, 2009

Faz tempo que eu reli a carta ao Zezim e fiz este passeio em Ipanema. Mas me sinto assim. De novo. E quero compartilhar:
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Reli a carta ao Zézim
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Tenho sentido, por causa da minha dor e da minha alegria, e principalmente porque o tempo passa (e transforma não só a paisagem), que me aproximo, com mais eficácia, de dias atravessados com uma disposição completamente nova. Acho a tristeza bonita, mas só a quero no papel. É por isto que esqueci do mundo (lá fora) para gastar uma tarde inteira de sol num passeio em Ipanema. Então, enquanto caminho por Ipanema posso concentrar-me somente nela. Ipanema se torna linda e imensa na minha vida. Lembro de Cecilia quando me disse que temos que levar a vida assim: “Se você está tomando um chá, aprecie o sabor, o formato da xícara, a temperatura. O prazer que este movimento te causa. O chá tem que ser neste momento a coisa mais importante da sua vida”. É tão bom lembrar de Cecilia enquanto caminho. Observo que a água quase tomou conta da areia. E como está escura! Desejo, como quem ressente, que o Guaíba não esteja tão poluído. Sem a veemência, provavelmente consentida, de quem nasceu em Porto Alegre, mas com o olhar visitante de quem apenas constata. Enquanto me distraio com uma árvore muito antiga, um jogo de bola de pai e filho, uma ou outra criança que corta a paisagem, lembro-me de quando estar ali, exatamente ali, tinha tão outro significado. Já vivi em Ipanema. Numa época e num contexto que me faziam ser outra Eloisa, sem dúvida. Nem vim pintar a nostalgia. Tampouco quero falar das tantas Eloisas que já fui, ou compor minimamente a de agora. Apenas dizer que estou mais próxima de ser esta que se distrai por gosto, apenas com Ipanema, num sábado à tarde. Se a vida não for agora, talvez ela nunca seja.
De uma pessoa tão linda que me engasga:
- "Suerte". É o que me desejam, Marangoni. Acredito que estou tendo. Como sempre. Mas é a América Latina!
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Saudade é bom, mas dói.

Domingo, Abril 26, 2009

Quem vai?

A tal da mudança tá me fazendo ter certas reflexões... como por exemplo, quem vai numa pera decorativa com tampa?

Sexta-feira, Abril 24, 2009

Me vê uma gelada aí que eu quero esfriar a cuca.

Terça-feira, Abril 21, 2009

Um simples gesto involuntário pode desencadear todo um processo.

Sábado, Abril 18, 2009

Cecilia



Ô menininha pra me dar gosto!

Segunda-feira, Abril 13, 2009

E em 2010, como será?




Quem me conhece “na prática” sabe que posso estar explodindo de alegria, e ainda assim, irei rabiscar uma nostalgia (nem que seja em algum detalhe). Quem me conhece “na prática” também sabe que o mundo das ervilhas é o meu mundo, as minhas mesmas emoções, essa coisa toda, mas que na vida real ainda é diferente. Sobre o que me acontece e venho aqui contar, digo com toda a certeza: ainda prefiro a vida real (mesmo que nela não exista tanta poesia). E sobre a nostalgia, é mania, suponho (e pouco me afeta a condição de sentir-me ou estar viva). Mas não era bem sobre isto que eu queria falar.
O fato é que eu voltava do feriado quando percebi que a cena se repetia. Me refiro, especificamente, à volta da viagem de Páscoa. Exatamente no momento em que minha irmã (da praia) e meu cunhado (surfista) me levavam à rodoviária, para depois seguirem seu destino. Mas eu só me dei conta deste detalhe quando olhei pro céu.
Por isso, ontem, quando voltava da viagem de Páscoa, este post se desenhou na minha cabeça. Foi assim, íamos para a rodoviária, e num determinado ponto do trajeto, vi que a lua estava belíssima. Como se o comentário coubesse num final de feriadão, e entusiasmada pelo que via, compartilhei o sentimento com eles. Minha irmã, tentando ser agradável, com muito menos entusiasmo que eu, concordou que a lua estava mesmo bonita.
Ela mal tinha respondido e eu tive uma sensação quase mágica de que o momento se repetia (um ano depois). Bastou ter este insight para que outras lembranças viessem, e foram tantas que chegaram a pintar a lua de outra cor.
E daí me ocorreu que no ano passado toda a empolgação da vida estava concentrada no amor fresquinho. Na vontade incontrolável. Em 2008, quando eu fazia este percurso, meu celular tocava e alguém queria saber se eu já tinha embarcado. Eu vou mexer mais um pouco nesse amorzinho, porque é tão gostoso lembrar da coisa ainda fresquinha, com gosto de que não vai se gastar nunca. Foi pra ele que eu disse que a lua estava linda, por sinal. Enquanto ele queria saber qual o horário que eu chegava em Porto Alegre. Ele tinha tanta gana de me ver. Eu sentia o mesmo. E a gente não sentia náusea com tanta vontade. Ele tinha lotado meu celular de músicas para viagem. Eu nunca movi nenhuma sequer. Parece ainda tão sagrado. A cada música, a cada nova posição da lua no céu, umas coisas tão pluminhas eram ditas por mensagem. A gente combinava uma vida em cinco minutos (num clima tropical de que o feriado seria interminável (e foi) porque não estaríamos juntos).
Mas no ano passado, enquanto íamos pra rodoviária, nesta mesma encenação de amor, enquanto eu suspirava de saudade, minha irmã confessou que uma gravidez poderia estar a caminho. Silêncio. Gelei com a possibilidade da confirmação. Parecia-me que ela namorava há pouquíssimo tempo para estar grávida. Além disso, parecia que a minha irmã ‘da praia’ não lidaria bem com a maternidade.
Neste ano, porém, enquanto a mesma (?) lua brilhava no céu e voltávamos do feriadão de Páscoa, eu, minha irmã da praia e meu cunhado surfista tínhamos a companhia de Cecília, de quem sou dinda (e a Cecília é tão Cecília que merece um post só pra ela). Mas, é bom que se saiba, a harmonia reina nesta nova configuração da vida da minha irmã, que apesar de dormir muito pouco, tem um novo raminho de família.
Neste ano, neste mesmo percurso, o meu celular não tocou. Nenhuma vez. O que não significa que meu estômago não esteja me deixando flutuar de ansiedade (dessa coisa boa da adrenalina). É porque a empolgação tem outra voz. Aliás, a empolgação é quase muda. Tem outro sentido. Preenche outro campo da vida. A tonturinha se dá por conta da minha mudança (que passada a TPM e os medos iniciais, me invade de mil novas possibilidades). Morar no bairro que sempre sonhei. Descobrir uma feira nova na esquina de casa. Uma lojinha de artesanato. Conhecer o movimento da rua. O novo trajeto do trabalho (agora tão pertinho). Encho-me de pretensões ao sonhar uma cor para a parede da sala. De alegria na escolha dos temperos para a horta que farei no pátio. De todas as plantas que poderei ter no pátio. De ter um pátio bem meu. Também penso nos móveis. Serão modernos ou rústicos? Quais são minhas prioridades? Tento adivinhar se eu terei um aquário. Ah, como eu quero ter um aquário enquanto eu descubro o que acontece na minha nova rua num sábado de manhã, por exemplo. Quem eu verei no vaivém da rotina do meu novo dia?
Os dias parecem, contudo, que serão novos.
Cheiram a qualquer coisa diferente que eu tenho vontade de descobrir como é. Onde começa. Que cor tem. De que lado dá pra virar, sabe?
Ah, e minha irmã está muito mais bonita agora que é mãe da Cecília (a família inteira está, diga-se).
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"Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas… Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.” Caio Fernando Abreu.

Segunda-feira, Abril 06, 2009

Já estou quase convencida de que é TPM, mas agora escrevi, e como maldição, jogo aos ventos

Tu (porque nove anos nos pampas modificam até a entonação da voz) me desculpa pelas intensas alterações de humor, tá?! Exatamente como esta pergunta sugere, eu ia escrever uma carta para uma confidente que vive além da fronteira. Mas resolvi escrever para mim mesma, num desejo de ser o mais sincera possível. E, por isso, não me importando bulhufas com os recursos da linguagem (tá, me importando só um pouquinho, mas não deixando que eles se enfiassem no meio dos sentimentos e atrapalhassem meu objetivo). Estou um pouco acima do peso, mas concentrada, e muito, nas minhas próprias impressões, que bem sei, são respostas de quando estive distraída.
A vontade de escrever a carta aconteceu depois do filme que eu estava assistindo, há pouco (quando na verdade deveria estar trabalhando). Um filme com um propósito de fazer chorar. E como tudo que tem um propósito muito declarado de emocionar, não emocionou. Mas, salvo pela belíssima trilha sonora e fotografia, assisti até o fim. O cara do filme renunciava a tudo para tentar se descobrir e era patético demais e toda a papagaiada serviu para reforçar a certeza de que a sabedoria está na gente e para encontrá-la, basta estarmos vivos. Sabe, sem muita cerimônia de querer descobrir a coisa fora. É por isso, talvez, que se diz por aí que, no fundo, a gente sempre sabe. Sempre sabe o que fazer. Por onde ir. Sempre sabe quando começa. Sempre sabe quando termina. Sempre sabe a quem ama. Sempre sabe de quem desconfia.
E apesar disto temos dúvidas. Às pencas. Até porque não é uma sabedoria escancarada, destas previsíveis que os roteiristas não conseguiram se livrar. Mas uma coisa que toma força e rompe, floresce, transcende (e tantos outros adjetivos mais que vierem à sua cabeça para definir esta ação/descoberta). A sabedoria da gente vai ficando corajosa com o passar dos dias e vai se impondo. Pode demorar pra acontecer o milagre da revelação e enquanto isso, claro, a gente vai errando pra caramba.
Mas, como eu ia dizendo, e é corriqueiro que eu me perca em tempos de TPM e de troca de estação, o filme não me fez chorar, surpreendeu-me e leia-se, emocionou-me muito mais o encontro que tive nesta tarde.
Reencontrei um amigo que há muito não via. E foi porque decidimos nos encontrar depois de tanto tempo, que hoje, perto do meio-dia, fomos almoçar e comendo, conversamos muito. Da conversa ganhei uma geladeira emprestada para a casa nova e algumas belas e boas definições para a vida. Olhos cintilando de tantas verdades e de tanta alegria que invade quando a coisa é boa. Quando o encontro é generoso. Quando nos descobrimos mais um pouco. Quando esta descoberta é livre. Porque dor é bom bem de vez em quando, que seja dito. E assim, quando já tínhamos passado pra torta de amora (eu peço amora sempre querendo comer a de limão) nos descobrimos mais maduros, mas ainda sendo nós mesmos. Ele, como não poderia ser diferente, surpreendeu-me com os últimos passos, me pondo numa alegria visível. E uma coisa comparativa me invade e eu arrisco que ele é como a água que brota cristalina da fonte em alguma montanha perto de casa. Eu dou tanta volta pra dizer uma coisa, mas é pra deixar claro que ele é uma figura rara que traz conforto. E por conta disto, e porque tenho mais sorte do que juízo, vamos inventar um punhado mais de coisas juntos. Ele sempre me põe em marcha. E me sinto bem, sendo eu mesma, tirando um pouco os sapatos e caminhando pela rua, sem batom, sem maquiagem alguma.
Mas agora que eu preciso de concentração para escrever as besteiras que me pagam para que eu escreva, não consigo pensar em outra coisa que não seja aquele maldito pensamento que tive há pouco. Destes pensamentos baitolos. Por um momento, e isto pode ser um lance hormonal, desejei que os papéis que passei encaminhando na semana passada não fossem oficializados e materializados na entrega de uma chave.
Tenho alma de artista, embora trabalhe feito um peão de chão de fábrica. E ainda assim, não gosto de trabalhar sendo escrava do dinheiro. De repente pareceu-me que já encontrei o que vim buscar aqui. E deu vontade de pegar as mesmas duas malas e voltar (deixando um pouco da bagagem por estas bandas). Sou especialista em me desfazer das coisas que deveriam ser minhas (e acho que só me refiro a objetos mesmo).
Enfim, este pensamento desencadeou feito uma bomba na vontade de ver Pablo aprender a escrever seu próprio nome. No desejo ainda um pouco envergonhado de conhecer as novas feições da minha sobrinha que acabou de nascer. Na ternura de dar ouvidos à nova dieta de Cecília, a quem os bons resultados dos exames nunca caem bem. Na comovente e silenciosa companhia de meu pai. Numa visita à casa da minha avó, a quem a saúde pregou-lhe uma peça. Na infância carismática de João. Na ansiedade dos novos passos da Carla. Neste momento merecido da Cátia, a quem faz de tudo bom tempo! Na feliz descoberta de ver Cristina sendo mãe. Nas possibilidades da nova linguagem da Claudia. Na emoção de ver Lilian casar-se e Carol se ocupar com a doação.
Com a proximidade física. É disto que tenho sentido falta. Como se a fase da renúncia, e de certa forma, da rebeldia, tivessem chegado ao fim. E o que chega ao fim, esgota. Para entender isso não é preciso, sequer, mexer na sabedoria intrínseca.
Talvez eu tenha vivido aqui como uma cigana. Uma coisa Erondina de ser (e daí já fica bem difícil explicar, leia-se, uma pessoa muito livre das convenções). Por isso os passos feito uma gazela que se arrasta com a dificuldade de quem tem uma das asas mais curta do que a outra? Quem duvida é doido!
Depois que o sangue escorrer-me pelas pernas, talvez isso se transforme apenas em palavras para reflexão. Mas alguma coisa em mim, que apita igual a um forno quando avisa que a refeição está pronta, me diz que se era para aprender um ofício, sim, eu já aprendi.
Sobre a outra coisa que apita, eu não tenho capacidade para escrever, mas sim, eu já entendi. Mas sim, eu identifiquei no olhar da garota (coadjuvante) do filme quando ela sonhou um mundo inteiro em cinco minutos. Um sonho que não era o dela. Alguma coisa assim. Alguma coisa que tem a ver com aquele lance da gente sempre saber, no fundo, como as coisas são. Ou, é claro, como elas deveriam ser.

Sábado, Abril 04, 2009

O musgo entre as pedras não consente...

Não estou conseguindo escrever. Nenhuma palavra. Nenhuma associação. Uma mudança se anuncia, eu bem sei. Mas, por hora, e para não abandonar o mundo das ervilhas, lembrei e vou citar Adélia:
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"Corália disse: você é tão criativa! E sou mesmo, poderia inventar agora um sofrimento tão insuportável que murcharia tudo à minha volta. Mas não quero. E ainda que quisesse, por destino, não posso. Este musgo entre as pedras não consente, é muito verde".

Quarta-feira, Abril 01, 2009

Algumas frases de “Woody”, ou filosofia barata, ou aproveita que é de graça

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"Antes, por cinco marcos, o mesmo Freud lhe tratava. Por dez, lhe tratava e passava as calças. Por quinze marcos, Freud permitia que você o tratasse com direito a um convite para comer".
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"Odeio a realidade, mas é o único lugar onde se pode comer um bom filé".
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"O leão e o bezerro podem até dormir juntos, mas o bezerro não vai conseguir dormir muito bem".
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"Minha forma de rir disto tudo é através da verdade. É a brincadeira mais divertida".
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"O nada eterno não é mal se você estiver vestido adequadamente para a ocasião".
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"Certa vez tomei a atitude política mais firme de minha vida: passei 24 horas sem comer uvas".
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"As pessoas boas dormem muito melhor à noite do que as pessoas más. Claro, durante o dia as pessoas más se divertem muito mais".
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"Não é que eu tenha medo de morrer. É que eu não quero estar lá na hora que isso acontecer".
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"E se tudo for uma ilusão e nada existe? Nesse caso, definitivamente eu paguei caro demais pelo meu carpete".
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"E se nada existe e estivermos todos no sonho de alguém? Ou o que é pior, e se somente aquele cara gordo na terceira fileira existe?"
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"Oitenta porcento do sucesso vêm de nos expormos".
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"O dinheiro é melhor do que a pobreza, ainda que apenas por razões financeiras".
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"O que mais odeio é que me peçam perdão antes de pisar em mim".
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"Sexo alivia as tensões. Amor as causa".
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"Eu era muito jovem para ter um carro, então transava com as moças no banco de trás de minha bicicleta".
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"O interessante é que, de acordo com os astrônomos modernos, o espaço é limitado. Esta conclusão é muito reconfortante, principalmente para as pessoas que nunca lembram onde deixaram suas coisas".
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"Fui expulso da faculdade por colar na prova de metafísica; eu olhei para a alma do garoto sentado ao meu lado".
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Agora me diz se a gente realmente não precisa respeitar este cara.
Eu não só adoro, como recomendo mais um pouco: Sem plumas!

Terça-feira, Março 31, 2009

Le Scaphandre et le Papillon



Acabo de assistir "O Escafandro e a Borboleta", um intelecto vivo dentro de um corpo morto, se você não sabe ao que me refiro, por favor, faça o mesmo: assista!

Domingo, Março 29, 2009




Muitas vezes nossas ilusões e expectativas a cerca das pessoas ou coisas podem nos cegar.
Mas a gente sempre pode saber como uma coisa termina pelo modo como ela começa.
É isso. Claro, é isso. Só pode ser isso.
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Amanhã começa mais um desafio. O desafio tem hora marcada para iniciar. Estarei lá. Com olhos brilhantes. Estarei lá. Com um punhado de sonhos. Estarei lá. Não sabendo bem onde colocar as mãos. Mas ainda assim, estarei lá.
Desafios fazem sentir-me viva. É mais gostoso ainda quando sinto um pouco de medo misturado. É porque quando me sinto viva, igualmente me sinto livre. A liberdade é condição, felina que sou, para respirar ou aproveitar todo o resto.
Da vida, eu digo. Dos sonhos.

Sexta-feira, Março 27, 2009

Não parece bom?

Enquanto a gente não cria a coragem ou a disponibilidade (e o que seria?) necessárias para escrever, lê o que gosta, ou, se surpreende com o que lê e estende ao alcance de todos.
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meAll - roberta silva
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Advertência
: Essste texxxto não é para você, é para o monssstro em ssseu armário.

Nunca gostei de novelossss, por isssso sssoube dessssde ssssempre que de tudo que pudesssse ssser, nunca ssseria uma gata. Messsmo dormindo a maior parte do tempo, fugindo quando me chamavam, aparecendo e quebrando tudo em horasss absssolutamente constrangedorasss em que ssseria melhor eu permanecccer quieta. Não obedeccci nenhum comando de "sseat!!!" ou "finja de morta!!!" e meusss pêlosss arrepiam sssó de imaginar-me fazendo isssso. Nunca gostei de novelosss até hoje àsss 3:17 ammmmm quando acordei dentro de um. Aconchegante e absssolutamente desssnecessssário, tão vazio de sssentido e argumentosss. Impressssionou-me como tive consssciência de cada parte , como se estivessse em toda sua extensssão e ao mesmo tempo liberta de sssuasss prrrrróprias restriçççõesss. Pude passssear por ssseusss pensssamentosss e lembrançççass, apesar de não me afetarem como o afetavam. Sssuas açççõesss eram limitadas por pudor ou culpa. Quase pedia dessculpass por ressspirar. Não sssei como, algo acontecccera e o novelo essstava agora sssob meu comando, deu-ssse para mim e até parecccia ansssiar para ver-me no comando. Novelo disssforme, pouco ágil, tentei pular em cccima do armário e de lá para fora da janela. Faltou-me força, não para ir, para levá-lo comigo e eu queria levá-lo, fiquei. Durante um tempo accchei que a vida fosssse uma metáfora, engano, o que ccchamamos metáforasss sssão, na verdade, a própria vida. Dessscobri issssto, quando, às 3:17 dessspertei-me e antesss de abrir os olhosss me sssenti dentro do novelo e vi-me, se não gata, felina. Ao abri-los, entretanto, vi que o novelo era ela, a pessoa que me apriszzzionara por toda minha exissstêncccia e não me deixxxava sssaber quem eu era. Havia tirado todosss osss essspelhosss lá de dentro e eu sssequer sssabia minha própria aparêncccia. A absssoluta auszzêncccia de ssseu temor nesssta madrugada quaszze me sssurpreendeu. Por não ssser rebelde, nem deszzistente, nem relutante, nem eufórica, nem amedrontada e muito menosss heróica, apenasss era. Sssempre achei que um dia eu conssseguiria arrombar aquele armário e tomar o comando, era possssível também que ela própria me libertasssse num gesssto exxxtremo de rebeldia, entrega, ouszzadia, demência, heroísssmo ou covardia, não assssim sssem exxxtremos. Coabitamos agora esssse novelo, que tem muitasss facesss e começçço a redecorar algunsss de ssseusss assspectos e meu guarda-roupa também. A liberdade é calma, sssempre imaginei que ela me sssurpreenderia sssendo algo que eu jamaisss sssonhei, preparei-me para todas asss possibilidadesss de sssurpreszza e o sssimples da liberdade me sssurpreendeu sssem preparo. sssshhh muito, muito bom, buommmm, buooommmm.

Me agrada esta tal de Ingrid



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Mais aqui!

Quarta-feira, Março 25, 2009

Só pra não dizer que não estive aqui

Enquanto a inspiração tá dando uma volta na quadra, ou uma banda, como dizem os gaúchos, vou postar uma frase do texto vencedor II Concurso Literário da Piauí.
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"Ela fechou a porta com vagar extremo e se afastou, furtiva, como quem abandona um doente que acaba de adormecer à meia-noite". DAS TRANSGRESSÕES SEXUAIS_João Athayde.
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Por outra banda, este Devendra Banhart, vai bem com vinho branco, principalmente quando o outono parece com outono.

Terça-feira, Março 24, 2009

Adélia Prado

Foi quando disse e entendi: cabe no tacho a colher.

Segunda-feira, Março 23, 2009

Indo ...


(eu bem 'que' sabia pra onde e por quê!)
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Sabe quando a gente gosta mesmo de uma coisa escrita?
Ela nem gostaria, provalmente, que eu falasse assim de Ana de Amsterdam... mas eu não resisto.